Analise da teoria da história na pós-modernidade
A teoria que se tem de história em se tratando de seu objeto em si vem mudando ao longo dos anos. E essa transformação se aplica em como ela trabalha com as questões sociais e de como a própria é pensada. Durante muitos anos a história foi cientificada para atender a demanda das ciências naturais, isso remete a escola historiográfica chamada de metódica, e isso em alguns aspectos está colocado hoje na história no que diz respeito aos métodos de sua escrita. Mas o que mudou ao longo do tempo foi essa preocupação em equiparar as ciências humanas às ciências naturais. Na verdade, se mudou muito, mas para fazer referência a essa escola historiográfica trazemos o método de abordagem mais cientificado como seu maior legado para sua escrita durante o século XX.
Posteriormente surge os Annales que irão transmutar o fazer histórico e expandir no que diz respeito a fonte e no que diz respeito a abordagem, no sentido de objeto de estudo. Uma história mais expansionista acerta das fontes. Na sua primeira fase começa-se a perceber na fonte não um detentor da história, mas um fragmento da mesma. E após ir passando-se as fases dessa escola historiográfica foram se transformando não só a forma de escrever e perceber a história, mas também a discussão acerca do que seria verdade em história.
Essa questão da verdade será mais trabalhada a seguir. Mas no momento algo que também veio como grande transformação foi o diálogo entre as ciências humanas, a chamada interdisciplinaridade. Algo que marcou isso foi a obra O mediterrâneo de Fernand Braudel, onde ele irá discorrer sobre a influência do espaço geográfico para o convívio das sociedades antigas, ou seja, colocando além dos aspectos já colocados como político, social e econômico figura também o geográfico como fator para a história.
Ainda nessa linha de história dos Annales um historiador que ficou muito marcado foi Jacques Le Goff, já na terceira fase. Ele era especialista em idade média e com uma nova forma de entender o passado em alguns casos traz a questão do imaginário como tema, ou seja, não só relatar o que ocorreu, mas também entender de forma problematizante a mentalidade da sociedade dita medieval. Le Goff trata também da questão de memória havendo um entendimento melhor entre o que seria história e o que é memória. Portanto as transformações do campo da história e do que ela seria enquanto objeto serão duramente transformadas no que diz respeito ao que chamam de pós-modernidade.
O próprio termo temporal que dão a nossa contemporaneidade é de fato discutida no campo acadêmico. Porque não parece de fato uma missão que quem vive em determinada época indicar termos a mesma, e também parece equivocado dentro do conceito do que seja moderno afirmar que atingimos uma superação deste, a ponto de que o moderno não parece assim como outros termos algo atingível em sua totalidade da palavra, somente então em sua concepção de novidade, mas não de inovador como querem os pós modernistas, pois assim como Certeau vai nos afirmar que a questão da crença está em declínio, ela pode, contanto parecer relativa em declínio, assim como o conceito de moderno pode parecer em ascensão.
E aqui se encaixa o que Foucault falou em relação a descontinuidades na história que seria essa questão de entender o porquê dos chamados regimes do enunciado quais os fatores que levam a essas mudanças, Foucault utiliza-se muito da questão do poder, segundo ele a verdade está ligada aos sistemas de poder e esse são fabricadores da verdade, consistindo em que cada sociedade tenha seu próprio regime de verdade, isso seria então discursos tidos como verdadeiros e aceitos como tal em determinado meio. Portanto tais descontinuidades estariam ligadas ao poder que imprime uma forma de agir e no caso do conceito de moderno o poder sobre o mesmo é exercido pelos acadêmicos ao defenderem que atingimos a pós-modernidade mesmo que dentro de suas regras para tal existam coisas que faltam de forma global.
No que se trata da chamada credibilidade política que Certeau escreve, me parece que tem muito do que Nietzsche afirmava sobre a descrença, no sentido de que a crença consistiria em está fundamentado em um regimento institucionalizado de forma transcendental a própria instituição, ou seja, não seguir os dogmas nem está presa ao seu conteúdo, mas está a partir dele creditando-o como verdadeira, parafraseando o que Certeau fala se trata de uma afirmação e não do conteúdo em si de dado credo.
Sendo assim o sistema político colocado por ele está descreditado no que diz respeito à sua afirmação. Vejo aqui também que essa falta de credibilidade diz respeito ao engajamento, pois além de creditar aquilo segundo Certeau, também havia uma motivação por sua defesa e esse descredito passa pela falta de se "engajar no crer". Interessante o que o mesmo autor coloca de que a democracia teria vindo para atender essa nova configuração em que não há mais uma hegemonia do crer e sua expansão remete a ideia do individualismo, surgindo a democracia como a responsável por gerir essa nova abertura heterogênea de pensar que antes tinha a ordem (religiosa) como princípio.
E para a política a forma de crer estaria determinada de acordo com o que se atribui ao outro e isso ele defende quando vai tratar das questões de informação e mídia em geral, portanto o real está sempre creditado e determinado pelo que o outro faz acreditar. Trazendo isso para nosso tempo, é totalmente visível que esse sistema de crença é perigoso assim como afirmou Certeau, pois ele pode ser creditado e perder credito de acordo com quem controla esse mecanismo, mostrando-se num sistema de informação (redes sociais) que se tornou democrático com base em que todos podem informar e receber informações, mas que também pode prejudicar a qualidade dessas informações se for usado por intenções especificas. Isso tira a responsabilidade somente das grandes empresas de comunicação pela interferência no que é colocado como passível de crer e distribui para uma universalização de sistemas de propagação do "real".
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