terça-feira, 21 de agosto de 2018

Perry Anderson sobre Inglaterra


       



        Antes de falar sobre o texto, trago informações sobre o autor que é um historiador inglês e ensaísta político com viés marxista. É editor de revista e professor de universidade e com diversos livros publicados dos mais variados temas e seu irmão também é historiador.
          Agora voltando para o texto que é bem direto se tratando de absolutismo, como o próprio título sugere; Linhagens do Estado absolutista. Um livro que passeia pela questão do absolutismo em todo o continente europeu e de cada especificidade. Portanto o autor busca em cada capitulo descrever governos absolutistas existentes em todo o território da Europa, desde sua instauração, até o colapso dos mesmos, sendo que como apresentado no livro vários desses estados com características absolutistas vieram a cair apenas no século XX, ou seja, nesses casos são séculos de história sendo descritos em cada capitulo.
           Como já mencionei a organização do texto tende a ir de acordo com a questão temporal, mas nem sempre isso ocorre, podendo ter momentos comparativos de governos e sem tópico algum para descrever a temática abordada em cada etapa dos capítulos. Fazendo muita das vezes com que um leitor que nunca ouviu falar do assunto se perca em uma ou outra expressão ou até fatos em si, pois é um bom texto de pesquisa bibliográfica e para adquirir conhecimento sobre os assuntos abordados nele seria interessante pesquisar um pouco mais sobre os termos absolutismos e sobre a Europa até posterior ao medieval, pois o autor faz muito essa ponte entre o medieval e o renascimento e até de antes do medievalismo, dependendo do país ou região abordados. Falo isso pois li mais de um capítulo do livro não somente o da resenha, portanto mesmo o livro sendo grande após a leitura de um novo capitulo o leitor vai detectando padrões de abordagem.
            E com isso vamos tratar do que é de fato o texto, senão um grande conglomerado de acontecimentos de um período que remete a formação política e diplomática dos países que são mencionados. E se tratando da busca por um absolutismo em todo o continente europeu e de descrever cada um deles, Perry trata da ilha inglesa com cautela e fala da força da monarquia feudal isso já em comparação com a França, isso será feito muitas vezes, a análise comparativa na maioria delas trazendo a França como modelo do absolutismo mais forte da Europa.
         

             Com isso passa a se descrever a capacidade dessa monarquia inglesa no período feudal e de como isso fazia dela um país com suas peculiaridades e diferenciações com sua maior rival a França. O que não poderia faltar se tratando da Inglaterra, pois teve todo o contexto da guerra dos cem anos e de toda uma atmosfera de rivalidade existente entre esses dois países.
              E essa monarquia forte segundo o autor, deu a Inglaterra mais abertura para aventuras territoriais no continente europeu, muito mais do que a França. Mas se tratando de absolutismo Perry Anderson afirma que era o mais fraco de toda a Europa e o de menor duração. Descrito também que a Inglaterra foi poupada dos perigos ao governo unitário mais uma vez utilizando-se da comparação. O autor buscou essa diferenciação dos ingleses e porque a ilha passou por um processo bem mais diferenciado nas questões regimentais ao longo dos séculos que se caracteriza o renascimento.
               A partir daí passa-se a tratar dos governantes monarcas e de como foi suas formas de governar e as consequências da mesma, foi citado a questão da Inglaterra ter parlamentos medievais e isso não era uma peculiaridade, mas a forma de organização dos mesmos o era, pois ocorria de forma unificada e a assembleia tinha como sede Londres e em nenhum local mais, isso se mostrava como um diferencial, mas esses parlamentos eram desativados algumas vezes dependendo de quem governava e não tinha força regimentar e por muitos governos foi somente alegórico, tendo mudanças com o rei Henrique VII que segundo o autor traz uma “nova monarquia” no sentido de ser de um clã e governar com características de outro.
                No militarismo o governo de Henrique se destaca por sua interferência externa e falta de atividade da assembleia, porém, em contra partida, o Henrique VIII ao que parece ensaiou uma consolidação do absolutismo, fazendo parte da dinastia Tudor. O Henrique VIII fez o parlamento ser duradouro, dissolveu os mosteiros e suas propriedades foram incorporadas ao Estado, criou um sistema de polícia secreta para delações e prisões, porém não havia ali um aparelho militar substancial nas palavras do autor.
                 Vai ser falado também do governo de Elizabeth I que após o fim do seu reinado a Irlanda foi anexada juntando-se assim ao País de Gales que havia sido o feito por Henrique VIII. Dentro do texto vai sendo traçado os rumos do absolutismo breve da ilha inglesa e que sua pouca representatividade diplomática passava pelo contexto internacional, onde França e Espanha se colocavam como as grandes potências. Outro fator importante que difere de tais potências é a questão da religiosidade que é abordada no texto de como esses conflitos de um governo protestante e a questão da terra passou por mudanças e de como isso afetava esse frágil absolutismo. E para finalizar, o texto é bom de ser lido, contém diversas informações e auxilia no conhecimento do período, mas que sua forma mais pré-estabelecida de não informar sobre detalhes faz quem não está adentrado ao contexto de não conseguir formar conceitos chave, mas a nível acadêmico é um texto que ajuda bastante para um melhor entendimento do breve absolutismo inglês que foi derrubado por uma revolução burguesa no centro da nação mesmo que as maiores preocupações fossem com suas regiões periféricas de extremo embate tanto político como religioso.                              

sábado, 18 de agosto de 2018

analise o jogo do contrário em avaliação

                                  


     Jussara Hoffmann é especialista em avaliação educacional, formada em Letras pela UFRGS, mudou-se para o Rio de Janeiro onde fez mestrado em educação/avaliação na UFRJ. Atuou na PUCRS como docente em metodologia do ensino superior onde também desenvolveu pesquisas sobre avaliação e educação infantil. Após sua aposentadoria, assumiu a direção da editora Mediação onde é responsável pela publicação de obras, projeto editorial e revisão de mais de duzentas obras editadas.
         A autora tem doze livros publicados sobre esse tema e participou de mais de 500 congressos no país e no exterior. Tendo dentre suas obras, avaliação mito e desafio: uma perspectiva construtivista; avaliação mediadora: uma pratica em construção da pré-escola à universidade; avaliando redações: metodologias e instrumentos de avaliação dentre outras. Portanto, Jussara é especialista nesse tema e busca instruir através desses eventos, os professores com quem tem contato, para buscar o que ela chama de educação mediadora.
         Com isso a base do livro é a busca por uma melhor avaliação em educação com ideias que permeiam o decorrer do livro. Mas iremos nos conter a falar sobre o capitulo intitulado: respeitar ou valorizar as diferenças?
          Essa parte do livro nos traz a questão da inclusão e de suas implicações na educação das crianças e jovens. Foi dividida em três partes, onde vai se tornando gradual as coisas que ela teoriza e coloca como suas ideias para a educação, ou seja, de acordo com a leitura vai se percebendo onde ela quer chegar em sua argumentação. Como se vê logo em sua indagação, a autora já inicia esse texto defendendo que é preciso valorizar as diferenças. Em seguida traz o ponto que leva a educação a não fazer aquilo que ela defende que é a celebração das diferenças, pois há um histórico de padronização e uniformidade na educação vinda do século passado.
           E é aqui que vem o ponto crucial do texto onde ela argumenta que, em avaliação se erra ao imagina-la como justa, com o pensamento de que a avaliação por si só, sendo igual, haverá justiça com o avaliado perante a todos, porém, na verdade esses padrões e regras comuns fazem ocorrer um processo de exclusão. E partindo disso tenta promover a união dos professores em prol de uma nova forma de avaliar, onde não se tenha pressa e que priorize o processo educativo e que faça da avaliação um meio de diversidade, de pluralidade de ideias que não haja padrões definidores de avaliação, mas sim, diversidade, que se possa realmente promover as diferenças e valoriza-las.
           O texto nos trouxe bons meios de reflexão sobre o modo de avaliar, é importante que isso seja abordado entre os profissionais em educação, sabemos das dificuldades e das nossas realidades brasileiras, sendo assim esse texto vem pra somar tanto a um jovem, como a um professor com mais experiência, para que esse processo de educação consiga alcançar o desejo de todos que é sua melhoria. Portanto acredito que tanto profissionais da área, como levar em sala para mostrar aos alunos seria interessante, até para fazer o aluno participar e opinar sobre o meio em que ele está inserido, contanto acredito que pouco se faz em pratica do que vem na teoria, ou seja sabemos das dificuldades, porem vejo que falta até um acesso maior por parte dos docentes à obras como essa.
            Mas vejo de forma muito positiva que haja teorias e ideias boas para somar à educação, porem se espera que tais obras estejam perpassando o campo universitário e sendo discutidos nas escolas, e arrisco até dizer que junto aos estudantes de ensino médio principalmente e com as gestões municipais e estaduais que costumeiramente estão tão presos as burocracias atuais que pouco se discutem no ambiente escolar sobre suas próprias realidades.


HOFFMAN, Jussara. O jogo do contrário em avaliação. Porto Alegre: Mediação, 2° edição, 2005, 192p.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Política à brasileira

                                                                 


           A política à brasileira demonstra cada vez mais que pode surpreender, ou será que somos nós que criamos expectativas demais em relação a mudanças? Bem, o que sabemos é que não há democracia quando privilégios remetentes ao passado são colocados como critério nas eleições, por exemplo, tempo de TV, pois esse é criterioso a partir da força do partido no congresso nacional e dos números de desempenho na eleição anterior, sendo que os partidos que já estão no poder tendem a crescer ainda mais fazendo acordos, ou seja, um sistema de privilegio.  
         Uma política baseada no "Centrão" que como definição pratica seria o grupo de políticos "sem ideologia" política e que governam para barganhar interesses próprios. Esse grupo que há alguns anos tem sido analisado e que demonstra o (P)MDB como seu principal representante, não à toa que por mais de 30 anos figuras como Michel Temer estejam ocupando cargos públicos sem fazer um benefício pragmático para a população a qual eles deveriam representar.   
      O chamado centrão inclui ainda partidos como o PP, DEM E PR, esses não raro, são os partidos mais citados na lava jato. Mas por qual motivo eles ainda se sairão bem nas eleições de 2018? Simples, eles têm privilégios e mantem "currais eleitorais" puxados pelos políticos de pequenas cidades do país, que buscam recursos para essas cidades, não mais como os "coronéis", mas como gestores obviamente com poder monetário para manter clientela. Parece familiar não é mesmo?  
       Bem, não dá pra negar que superamos o coronelismo e muito do que o mesmo representou, mas o jogo político me parece não apresentar mudanças. Um cidadão de pequena cidade vota por um cargo e o prefeito da mesma apoia por privilégios pessoais e públicos para poder se vangloriar posteriormente e manter sua casta no poder.  
        Parece que vivemos em um looping, isso porque quem controla as decisões publicas pensa no próprio umbigo, fazendo com que só o que podemos fazer é evidenciar tais coisas. Muitas vezes nos remetemos a esquerda aquela que iria acabar com esse looping, porem nos deparamos com o partido dos trabalhadores fazendo acordo de não agressão com o PSB para sufocar Ciro Gomes. Vejam, enquanto o centrão se une para se manter no poder junto ao Geraldo Alckmin, o PT isola o Ciro e no andar da carruagem irá morrer abraçado com o mesmo no fim das contas.  
        Não vemos sinais de mudanças, a direita conservadora sempre esteve à frente desse país, porem no momento em que a dita esquerda brasileira assumiu o poder antes mesmo de chegar lá enviou a carta patética ao mercado dizendo que não iria acabar com o privilégio desses. E hoje após ser traída pelos seus aliados ainda faz acordos com eles, o que demonstra a dependência na democracia e um sistema que favorece a quantidade e não qualidade. E de quebra preferir apoiar Paulo Câmara, um dos piores governantes desse estado em nome de sufocar um adversário que em um possível cenário de vitória seria um aliado bem mais razoável que figuras como Fernando Bezerra Coelho, Câmara e Geraldo Júlio. Isso só demonstra o quão sujo nossa política é.  
       Sem contar que a maioria dos políticos do país tem ao menos um parente que também foi político no passado, demonstrando que governam para seus clãs. Enquanto a raiz dos votos de gente como Mendoncinha for pequenas cidades de pessoas dependentes de cargo público e não uma população instruída e com empregos independentes dessas figuras, não vai ser com lava jato que se mudará o sistema (podre) político desse Brasil. 

Aulas de reforço

aulas acessíveis e com retorno prático no desempenho