terça-feira, 31 de julho de 2018

Resenha sobre pedagogia da autonomia de Paulo Freire




         Paulo Freire (1921-1996) foi um pernambucano, escritor, e educador com pensamentos voltados para uma escola que transformasse, que dialogasse com o cotidiano vivido dos alunos de forma a instruir os mesmos politicamente e que ficassem conscientes do meio em que viviam e conseguissem entender sua realidade e, não somente isso, para que pudessem transforma-la, ou seja devia haver como objetivo escolar a conscientização dos alunos de suas situações de oprimidas e buscar mudar essa realidade como vai descrever em seu livro pedagogia do oprimido (1968), onde classifica a atual escola como bancária e que impõe que somente o professor é detentor do saber e o aluno é visto como o dócil que apenas recebe conhecimentos em um sistema totalmente idealizado para mecanização social detectada e criticada por Freire, ele seguirá com suas teses em obras como pedagogia da esperança (1992) e pedagogia da indignação (2000) livros aos quais ele relata todo seu conhecimento e pontos de vistas sobre questões escolares e das relações do professor aluno. 
            Mas no livro em questão “pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa” de Freire, é totalmente voltado para profissionais em educação e interessados em aprofundar sobre a teoria do mesmo sobre as diversas facetas do mundo escolar e educativo e dos métodos do mesmo, isso porque é um livro que irá abordar questões em que segundo o autor geram alvoroço nas elites brasileiras e nos chamados detentores de poder. Este livro é dividido em três capítulos extensos onde neles está contido vários sutópicos de discursão dos temas abordados em cada capitulo, mas antes do primeiro capitulo o que chamou atenção foi uma espécie de nota de esclarecimento intitulada pelo autor como; primeiras palavras e nela Freire irá responder aos críticos de suas teorias e tentar explicar seus pontos de vista em relação a educação e se afirmar como cientista e pesquisador, utilizando de sua retorica ele introduz e ao mesmo tempo explica suas aspirações e motivações para escrever o que virá no decorrer de seu livro,  
             No primeiro capitulo é abordado a pratica docente em si e suas problemáticas, meio que um roteiro para o professor, esse capitulo se prende principalmente em problematizar o papel da ética em sala de aula e de um termo utilizado pelo autor chamado pensar certo que seria o bom senso do docente em se comportar em suas aulas e em abordar certos temas que para Freire precisam ser encarados de forma diferente, pois o professor que pensa certo no sentido de compreender o mundo em sua volta não poderia ver assuntos como a globalização sem falar de coisas como a escravidão moderna e a desigualdade social como também relata que é preciso da parte do professor um conhecimento das discriminações e preconceitos e exige-se dele um comprometimento com a luta para dizimar os mesmos e exige do profissional sempre uma auto crítica de sua pratica. 
             Já no segundo capitulo de forma ainda contínua, é explicado também que o professor precisa ter consciência do seu inacabamento como ser humano para poder lidar mais consciente com seus alunos e de forma a conscientiza-los sobre isso e de entender também que somos seres condicionados em relação ao que captamos no âmbito social durante a vida e isso também influencia em nossos aprendizados tanto o professor como o aluno, então são temas considerados relevantes para uma boa pratica docente segundo o autor, e no terceiro e último capitulo ele vai prosseguir mostrando quais os caminhos para a educação a qual ele pensa e busca voltando-se principalmente para a ótica do professor e de suas competências e responsabilidades como o mesmo assim como também dos limites de fala e de saber ouvir os alunos de uma forma a construir o conhecimento em conjunto com os mesmos e de reconhecer que existe ideologias sim no ensino e indaga que resta saber se essa é inclusiva ou excludente. 
             Este livro, talvez um dos mais conhecidos de Paulo Freire, vem trazer de forma bem elaborada e estudada, formas de transformar a maneira de construir conhecimento em sala de aula mudando o agente do ensino que é o professor e fazer dele um anarquista social dentro do sistema de ensino vigente para que se possa existir pessoas mais conscientes do seu meio social e de integrar-se e reconhecer-se como ser social e lucido do ambiente ao qual ele está integrado, porem o livro utiliza de uma linguagem bem erudita e precisasse de conhecimento prévio de alguns termos técnicos utilizados no mesmo, mas é um livro importante para se pensar educação e formas de transforma-la.    



FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 41º reimpressão. São Paulo: Paz e Terra, 2010. [Data da primeira publicação: 1996].   

segunda-feira, 30 de julho de 2018

A questão da terra no Nordeste




             Esse recorte ao qual será resenhado é do livro de Manuel Correia de Andrade que foi um escritor, geógrafo e historiador pernambucano nascido na zona da mata norte, formou-se em direito, geografia e história, lecionou durante muito tempo de sua vida até se aposentar, mas sem deixar o meio acadêmico onde ainda participou como coordenador em universidades e fazendo pesquisas. Publicou diversos livros além do qual iremos falar tais como; A pecuária no agreste pernambucano 1961, Nordeste, espaço e tempo 1970Os trinta anos do Brasil 1976 entre outros. Ele faleceu no ano de 2007 deixando um vasto conteúdo sobre história e geografia voltados em sua maioria das vezes ao Nordeste. 
             O texto é dividido em um tema principal e alguns subtemas relacionados, isso acontece em todos os três capítulos e logo de início será falado da questão do agreste nordestino e como se deu o desenrolar histórico e político dessa região sempre na perspectiva geográfica também, pois é dessa forma que o autor procede sua narrativa dos acontecimentos. 
             Quando se trata da questão de propriedade e policultura e da mão de obra nessa região o autor já nos remete as questões econômicas da época como por exemplo a produção de cana de açúcar na região litorânea que faz com que exista uma demanda de animais de carga para transportar tais produtos para as fabricas e para os portos onde seriam enviados aos seus destinos e para isso acontecer é que entra o fator da região do agreste com sua pecuária que abastece as demandas do litoral, assim como veremos adiante com a região sertaneja o agreste será local de fazendas de criação de animais e terá seu povoamento muito tardio devido justamente a economia está sendo voltada somente a parte litorânea. 
              O texto mostra também uma relação da invasão holandesa com a mudança na região agreste, pois muitos fazendeiros migraram para as regiões do sertão por conta da mudança de poder na província de Pernambuco e fez com que houvesse mudanças em relação a interesses. Outro fator que influenciou a região foi o quilombo dos palmares que tinham uma grande influência na região entre Alagoas e Pernambuco sendo que essa primeira pertencia a segunda e só se desvinculou após a expulsão dos holandeses como punição, e essa influência acabou quando o quilombo foi dizimado e logo após isso ocorrer surgiu nessa área diversas sesmarias que inclusive são existentes até os dias atuais na região de Palmares. 
              Uma coisa curiosa e que chamou atenção foi a explicação sobre os vaqueiros que no agreste assim como no sertão eram responsáveis por cuidar dos animais seja como pastoris como também como ferradores dos animais, pois como não havia cercamentos os animais poderiam ser confundidos com os de uma fazenda vizinha então eram marcados com ferro quente contendo as digitais dos seus donos ou sendo cortados partes das orelhas cada um de uma forma diferente para não se confundirem.  
              Os vaqueiros também se reuniam para justamente fazer o que chamavam de apartação e essas viravam uma verdadeira festa reunindo vaqueiros de várias fazendas da região e em algumas ocasiões existia aquele animal ao qual se perdia na mata e era oferecido um prêmio a quem o resgatasse ou até mesmo o animal que fosse capturado ficava com o capturador e isso gerava uma grande busca competitiva entre os vaqueiros sendo salientado pelo autor que talvez isso tenha gerado o que chamamos hoje de vaquejada em toda a região nordeste do nosso país.   
             Em seguida temos o capitulo cinco chamado de; O latifúndio, a divisão da propriedade e as relações de trabalho no sertão e no litoral setentrional. Portanto o autor vai iniciar esse tema relatando a questão do assentamento em si de habitantes para a área do sertão nordestino em períodos coloniais e como isso se deu, em primeiro lugar é abordado a maciça disputa por parte dos senhores coloniais para dividir as terras pelo sistema de sesmarias em que era concedido a pessoas da alta realeza de Portugal as terras com a única justificativa de esses serem aptos a obterem as terras. 
             E esses grandes latifundiários encontrarão problemas com os nativos, pois esses vão resistir até onde puderem para se manterem nas terras onde na verdade eles também eram imigrantes por conta da expulsão dos mesmos das regiões litorâneas, porem os latifúndios se firmam no sertão e iniciam ali um sistema que até o autor chama a atenção que é o fato de esse sistema de produção e meio de vida existe em comparativo no texto com o século XX na mesma região claro tirando a parte do trabalho escravo, ou seja o estabelecimento de um grande grupo latifundiário que detém o poder sobre as terras ainda é uma realidade no Brasil contemporâneo. 
              No decorrer do texto vai sendo explanado também, até com uma minuciosidade   nos detalhes, a questão do cotidiano da época na região dos sertões nordestinos onde existia os chamados sítios onde moravam o senhor que era dono das terras e aqueles chamados vaqueiros que trabalhavam para os anteriores e moravam em uma pequena parcela dessas terras onde se estabeleciam com suas famílias, mas a função desses vaqueiros era orientar o gado em meio a caatinga, pois a conclusão do autor é de que inicialmente o único meio econômico do sertão era a pecuária, onde somava a produção de queijo e de carne para ser transportada para a região litorânea trabalho feito também pelos vaqueiros. 
               Quando se trata de agricultura na região sertaneja e de caatinga não há tanto o que se falar, pois devido a distância do litoral ficava difícil transportar produtos para plantio e também da questão da região que não era favorável para lavouras fazendo com que aquelas áreas fossem destinadas inicialmente para criação de animais, porem existia ainda assim o que podemos chamar de pequenas “ilhas” de plantação em áreas sertanejas chamadas de oásis, contanto era por parte dos próprios vaqueiros em pequenas proporções, onde plantavam milho, mandioca, feijão, algodão entres outros.           
                E por fim o texto trata da questão da região mais a noroeste e sobre a relação do Maranhão com os franceses que ali habitaram durante um certo tempo e que influenciaram muito aquela região, mas por fim foram expulsos pelos portugueses que mesmo com as invasões tanto holandesa como francesa sempre conseguiram se restabelecer como soberanos tanto no Nordeste como em todo o que viria a ser o Brasil. 
                O texto realmente nos faz perceber todas as contradições e transformações que existiram na região Nordeste do Brasil e como se deu sua forma atual, pois muito do que vemos no texto está diretamente ligado ao que entendemos como Nordeste hoje, portanto é um texto essencial a quem quer conhecer de fato a questão da terra e da vida nessa região e não só isso é entender as sub-regiões como sertão e agreste dentro de um contexto macro que abarca toda um sistema existente no Brasil setentrional e para entende-lo é preciso a leitura desse texto.  


ANDRADE, Manuel Correia de. A Terra e o Homem no Nordeste. 1º Ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1963. P. 151-235. 

O Brasil República


                                        

          O texto foi escrito pelo professor e historiador da USP Marcos Francisco Napolitano de Eugênio que é doutor e mestre em história social pela universidade de São Paulo onde se graduou também em história. Atualmente é professor de história do Brasil independente e também docente-orientador no programa de História social da USP. Ele tem trabalhos com ênfase no Brasil independente mais especificamente republicano com abordagens sobre música e cinema e trabalhos sobre o período da ditadura civil-militar brasileira. 
            Napolitano nos traz através desse livro um novo olhar sobre o período denominado republica velha em seu primeiro capitulo onde diz que a republica se beneficia das estruturas arcaicas da monarquia. Logo como introdução afirma que antes de se falar em republica é preciso entender o que significou a monarquia brasileira e em seguida responde que essa criou, uma estrutura jurídica e política que se utilizou do vocabulário liberal da época. E que o império trouxe a independência política ao Brasil, porém, pouco fez para mudar as conjunturas econômicas e sociais impostas nos tempos de colônia.  
             E sendo assim a republica representava o fruto da economia escravista e da crise do império. Portanto é nesse meio que se firma esse evento que nos dias de hoje chamamos de golpe contra a monarquia e que foi liderada por um monarquista, mostrando       Portanto Napolitano inicia com uma introdução acerca desse período republicano no Brasil, que é, segundo ele, um momento de incertezas e conflitos de diferentes grupos ditos republicanos, sendo assim ele nos aproxima da dimensão do que estava acontecendo no país com grupos especificamente três que divergiam sobre como o Estado deveria se portar na economia política e socialmente nesse novo regime que se iniciava, sendo eles os militares e parte da classe media positivistas, os liberais, principalmente paulistas e os chamados jacobinos, referencia a revolução francesa e que representavam os radicais republicanos. 
       Com isso o texto de Marcos Napolitano é dividido cronologicamente, porem, com comparações entre um período e outro e dando dimensão do todo. Primeiro fica claro o desejo de se esclarecer bem o período que vai desde o golpe republicano até o que ele chama de inicio não pontual, mas conceitual do modernismo brasileiro, que é a partir do inicio dos anos 20 do século passado. 
      Como já foi dito antes de querer fazer qualquer analise da republica, se inicia contextualizando o que representou a monarquia para o Brasil. Nesse sentido é fato que não havia um desejo revolucionário de mudança nas estruturas de poder do país e sim, de organização governamental. O desejo se tratando principalmente desses positivista que estão totalmente ligados ao golpe era o de reformular a governabilidade, tendo alguns inclusive flexíveis a mudanças impostas por dom Pedro II, ou seja, pouco estava importando o sistema de governo, seja monarquia, seja republica, uma parcela desses personagens do golpe queriam um poder centralizador e federalista que buscasse alfabetizar as classes e algumas reformas sociais, onde o estado deveria ser o motor do patriotismo e nacionalismo. 
      Mas existe também, e de forma curiosa a frase colocada no texto de que até Pedro II estava cansado da monarquia, ou seja, de forma ilustrativa vemos que havia um desgaste do regime que existia, ate antes do fim da escravidão, mas que após a abolição parece que se intensificou o desgaste. Essa chaga social que o autor afirma que é a escravidão, teve finalmente seu fim, mas pelo que dá a entender, parece que a monarquia perdeu ali sua identidade. Sem trabalho escravo e com um aumento significativo de uma elite em ascensão que eram os paulistas do café somado aos grupos militares, ficou claro que não haveria desta forma, como manter intacto o regime monarquista.   
      E vai ser nesse contexto que o autor irá analisar esses grupos e os interesses dos mesmos, primeiro que o autor do golpe, Deodoro, que não era um republicano e inclusive não parecia indiferente com a monarquia, porem pelas fontes que Napolitano trás, o que ocorreu foi uma tomada de decisão pessoal por parte de Deodoro, que tinha derrubado o visconde de Ouro Preto, mas ao saber que seu inimigo pessoal seria o substituto ele então decide que também romperia com o sistema monarquista. O curioso é isso ter ocorrido no mesmo dia. Isso desmistifica aquilo que a tanto tempo foi levado aos livros, que é essa imagem de uma republica que nasceu de uma revolução aos moldes da tentativa que ocorreu em 1917 em Pernambuco, ou mesmo as republicas proclamadas nos Países vizinhos na America Latina. Mas o que vemos nesse texto é que, na verdade essa revisita histórica que não de agora, mas desde a grande influência Marxista na historiografia brasileira da década de 1970 que vem fazendo não só o campo acadêmico, mas também a população em geral, ter uma dimensão diferente do que foi e o que representou a proclamação da republica brasileira. 
          Seguindo com o decorrer do golpe, vem as indagações acerca do novo regime, o que iria ocorrer então de novidade, qual posição a republica vai ter em relação aos ex escravizados, tudo isso será posto em discussão no texto. Justamente aqui que se encaixa a dimensão dessas divisões ideológicas desses grupos que pensaram sobre que rumos deveriam tomar o sistema republicano recém instaurado. Não havia um bloco político e ideológico coeso e único que pudesse ganhar hegemonia. E os rumos seguiram cada vez mais para as pautas conservadoras e oligárquicas, isso só provava a real intenção puramente governamental no fim das contas.  
         A questão da imigração e o fim da escravidão também são abordados. Sendo que o país conseqüentemente com esses eventos, inicia-se mudanças sociais e culturais. o incentivo a imigração ganhou força no inicio da republica. A população afro descendente se caracterizava como maioria num país com maioria analfabeta, inclusive os brancos, sendo esses os que irão abraçar as teorias racistas vindas da Europa. Assim a questão social vai ter muita influencia das formas de governar e por isso que mesmo dedicando um capitulo para a parte social e cultural a mesma não se dissolve da questão política. 
          A republica foi dividida no texto em três períodos, a consolidação da ordem republicana, a institucionalização da política liberal-oligárquica e a crise dessa mesma institucionalização. Sendo assim, o primeiro período se caracteriza pela queda de Deodoro e a ascensão de Floriano Peixoto ao poder. Esse ultimo tinha simpatia com grupos dissidentes dos positivistas, mas que acabou por se unir aos liberais oligárquicos. Uma característica desse período também foram os conflitos e disputas locais nos estados e as disputas municipais que ficavam a cargo dos chamados coronéis. 
      Foi citado também a guerra de canudos, um movimento vindo das camadas sociais mais pobres e que demonstram também essa instabilidade inicial da republica que em todas as camadas sociais havia embates e sendo assim, canudos representa um descontentamento com um país que não consegue ser homogêneo, muito menos ter uma integridade governamental que faça com que as camadas sociais não estejam insatisfeitas, até porque o que ocorre é uma omissão do estado em relação as mesma e isso só se intensifica nessa primeira republica 
         Foi preciso organizar de fato a republica, é então que se inicia a produção de uma constituição que iria dar legitimidade ao novo regime. Nela houve a tentativa de excluir coisas que remetessem ao sistema monárquico, porem coisas cruciais como o voto do analfabeto e o fim do sistema de exceção não acabaram. Mas foi o fim do senado vitalício e o poder moderador. 
        Com isso o governo de Floriano Peixoto representou a transição do chamado governo da espada para o condomínio dos fazendeiros, como bem coloca o autor. Floriano representava a esperanças dos republicanos radicais por um governo jacobino, mas as convicções do mesmo parecem que não faziam jus ao apelido de “marechal de ferro” que logo fez acordos com os liberais e demonstrou pacifica transição para o paulista Prudente de Morais.  
       Mas é então no governo do seu sucessor Campos Sales que a republica irá conseguir se consolidar e manter sua estrutura por um bom período. Isso só ocorreu com a política inaugurada por ele, chamada de política dos governadores, nela os estados ganham autonomia e são subordinados de acordo com seu poder econômico. Nesse sentido os estados apóiam o governo federal vigente sendo ele assim determinado pela força econômica muito maior de São Paulo e Minas Gerais, porem não só deles, havendo uma coalizão de estados e sem o apoio dos mesmos não teria como os dois maiores governarem. Mas algo que se intensificou com essa política foi a fraude eleitoral, pois foram criados mecanismos que faziam com que caso ocorressem vitorias de candidatos que não fossem apoiadores do governo federal se pudesse afirmar que o candidato era inelegível. 
       Portanto essa política é justamente o que caracterizou a republica que ficou conhecida como café com leite e que também é desmistificada no texto quando Napolitano esmiúça o sistema político brasileiro desse período, onde existia uma coalizão entre os estados de SP, MG, PE, BA, RS e RJ. Nesse caso, o presidente viria a ascender ao poder pelos estados mais fortes na economia, mas a partir de um acordo entre estados e não somente entre os dois principais, sendo o caso de um dos presidentes ser gaucho e ai então que houve desavenças e descontentamento por parte de Minas e São Paulo que firmaram o acordo de Ouro fino. Mas dada a situação ao que parece há muito mais no jogo político que somente esses dois estados e sua influencia e isso é positivo, essa revisitação histórica é natural e irá ocorrer na historiografia de diversos períodos.  
        É tanto que logo em seguida é abordado os estudos sobre a história social e cultural dessa época, visando que a pouco tempo não se imaginava que havia organizações sindicais e de trabalhadores no inicio do século XX e elas não só existiam como fazem parte do cotidiano das grandes cidades do período.  
      É então que temos a questão ideológica em cena e que ganhara forma no país com os presidentes que sucedem Campos Sales. Isso se inicia com Rodrigues Alves e sua política de higienização das cidades brasileiras. A demolição principalmente na capital federal de cortiços no centro e a invasão de casas para limpeza vão acarretar em crises que marcam a republica velha. Desde a revolta da vacina passando pela revolta da chibata dentre outros casos que provam que o período foi conflituoso. 


NAPOLITANO, Marcos. História do Brasil republica: da queda da monarquia ao fim do estado novo. 1º. São Paulo: contexto, 2017. 7-70p. 

Aulas de reforço

aulas acessíveis e com retorno prático no desempenho