Antes de falar sobre o texto, trago
informações sobre o autor que é um historiador inglês e ensaísta político com
viés marxista. É editor de revista e professor de universidade e com diversos
livros publicados dos mais variados temas e seu irmão também é historiador.
Agora voltando para o texto que é bem
direto se tratando de absolutismo, como o próprio título sugere; Linhagens do
Estado absolutista. Um livro que passeia pela questão do absolutismo em todo o
continente europeu e de cada especificidade. Portanto o autor busca em cada
capitulo descrever governos absolutistas existentes em todo o território da
Europa, desde sua instauração, até o colapso dos mesmos, sendo que como
apresentado no livro vários desses estados com características absolutistas
vieram a cair apenas no século XX, ou seja, nesses casos são séculos de
história sendo descritos em cada capitulo.
Como já mencionei a organização do
texto tende a ir de acordo com a questão temporal, mas nem sempre isso ocorre,
podendo ter momentos comparativos de governos e sem tópico algum para descrever
a temática abordada em cada etapa dos capítulos. Fazendo muita das vezes com
que um leitor que nunca ouviu falar do assunto se perca em uma ou outra
expressão ou até fatos em si, pois é um bom texto de pesquisa bibliográfica e
para adquirir conhecimento sobre os assuntos abordados nele seria interessante
pesquisar um pouco mais sobre os termos absolutismos e sobre a Europa até
posterior ao medieval, pois o autor faz muito essa ponte entre o medieval e o
renascimento e até de antes do medievalismo, dependendo do país ou região
abordados. Falo isso pois li mais de um capítulo do livro não somente o da
resenha, portanto mesmo o livro sendo grande após a leitura de um novo capitulo
o leitor vai detectando padrões de abordagem.
E com isso vamos tratar do que é de
fato o texto, senão um grande conglomerado de acontecimentos de um período que
remete a formação política e diplomática dos países que são mencionados. E se
tratando da busca por um absolutismo em todo o continente europeu e de
descrever cada um deles, Perry trata da ilha inglesa com cautela e fala da
força da monarquia feudal isso já em comparação com a França, isso será feito
muitas vezes, a análise comparativa na maioria delas trazendo a França como
modelo do absolutismo mais forte da Europa.
Com isso passa a se descrever a
capacidade dessa monarquia inglesa no período feudal e de como isso fazia dela
um país com suas peculiaridades e diferenciações com sua maior rival a França.
O que não poderia faltar se tratando da Inglaterra, pois teve todo o contexto
da guerra dos cem anos e de toda uma atmosfera de rivalidade existente entre
esses dois países.
E essa monarquia forte segundo o
autor, deu a Inglaterra mais abertura para aventuras territoriais no continente
europeu, muito mais do que a França. Mas se tratando de absolutismo Perry
Anderson afirma que era o mais fraco de toda a Europa e o de menor duração.
Descrito também que a Inglaterra foi poupada dos perigos ao governo unitário
mais uma vez utilizando-se da comparação. O autor buscou essa diferenciação dos
ingleses e porque a ilha passou por um processo bem mais diferenciado nas
questões regimentais ao longo dos séculos que se caracteriza o renascimento.
A partir daí passa-se a tratar
dos governantes monarcas e de como foi suas formas de governar e as
consequências da mesma, foi citado a questão da Inglaterra ter parlamentos
medievais e isso não era uma peculiaridade, mas a forma de organização dos
mesmos o era, pois ocorria de forma unificada e a assembleia tinha como sede
Londres e em nenhum local mais, isso se mostrava como um diferencial, mas esses
parlamentos eram desativados algumas vezes dependendo de quem governava e não
tinha força regimentar e por muitos governos foi somente alegórico, tendo
mudanças com o rei Henrique VII que segundo o autor traz uma “nova monarquia”
no sentido de ser de um clã e governar com características de outro.
No militarismo o governo de Henrique se destaca por sua
interferência externa e falta de atividade da assembleia, porém, em contra
partida, o Henrique VIII ao que parece ensaiou uma consolidação do absolutismo,
fazendo parte da dinastia Tudor. O Henrique VIII fez o parlamento ser
duradouro, dissolveu os mosteiros e suas propriedades foram incorporadas ao
Estado, criou um sistema de polícia secreta para delações e prisões, porém não
havia ali um aparelho militar substancial nas palavras do autor.
Vai ser falado também do governo de
Elizabeth I que após o fim do seu reinado a Irlanda foi anexada juntando-se
assim ao País de Gales que havia sido o feito por Henrique VIII. Dentro do
texto vai sendo traçado os rumos do absolutismo breve da ilha inglesa e que sua
pouca representatividade diplomática passava pelo contexto internacional, onde
França e Espanha se colocavam como as grandes potências. Outro fator importante
que difere de tais potências é a questão da religiosidade que é abordada no
texto de como esses conflitos de um governo protestante e a questão da terra
passou por mudanças e de como isso afetava esse frágil absolutismo. E para
finalizar, o texto é bom de ser lido, contém diversas informações e auxilia no
conhecimento do período, mas que sua forma mais pré-estabelecida de não
informar sobre detalhes faz quem não está adentrado ao contexto de não
conseguir formar conceitos chave, mas a nível acadêmico é um texto que ajuda
bastante para um melhor entendimento do breve absolutismo inglês que foi
derrubado por uma revolução burguesa no centro da nação mesmo que as maiores
preocupações fossem com suas regiões periféricas de extremo embate tanto
político como religioso.
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