Paulo Freire (1921-1996) foi um pernambucano, escritor, e educador com pensamentos voltados para uma escola que transformasse, que dialogasse com o cotidiano vivido dos alunos de forma a instruir os mesmos politicamente e que ficassem conscientes do meio em que viviam e conseguissem entender sua realidade e, não somente isso, para que pudessem transforma-la, ou seja devia haver como objetivo escolar a conscientização dos alunos de suas situações de oprimidas e buscar mudar essa realidade como vai descrever em seu livro pedagogia do oprimido (1968), onde classifica a atual escola como bancária e que impõe que somente o professor é detentor do saber e o aluno é visto como o dócil que apenas recebe conhecimentos em um sistema totalmente idealizado para mecanização social detectada e criticada por Freire, ele seguirá com suas teses em obras como pedagogia da esperança (1992) e pedagogia da indignação (2000) livros aos quais ele relata todo seu conhecimento e pontos de vistas sobre questões escolares e das relações do professor aluno.
Mas no livro em questão “pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa” de Freire, é totalmente voltado para profissionais em educação e interessados em aprofundar sobre a teoria do mesmo sobre as diversas facetas do mundo escolar e educativo e dos métodos do mesmo, isso porque é um livro que irá abordar questões em que segundo o autor geram alvoroço nas elites brasileiras e nos chamados detentores de poder. Este livro é dividido em três capítulos extensos onde neles está contido vários sub tópicos de discursão dos temas abordados em cada capitulo, mas antes do primeiro capitulo o que chamou atenção foi uma espécie de nota de esclarecimento intitulada pelo autor como; primeiras palavras e nela Freire irá responder aos críticos de suas teorias e tentar explicar seus pontos de vista em relação a educação e se afirmar como cientista e pesquisador, utilizando de sua retorica ele introduz e ao mesmo tempo explica suas aspirações e motivações para escrever o que virá no decorrer de seu livro,
No primeiro capitulo é abordado a pratica docente em si e suas problemáticas, meio que um roteiro para o professor, esse capitulo se prende principalmente em problematizar o papel da ética em sala de aula e de um termo utilizado pelo autor chamado pensar certo que seria o bom senso do docente em se comportar em suas aulas e em abordar certos temas que para Freire precisam ser encarados de forma diferente, pois o professor que pensa certo no sentido de compreender o mundo em sua volta não poderia ver assuntos como a globalização sem falar de coisas como a escravidão moderna e a desigualdade social como também relata que é preciso da parte do professor um conhecimento das discriminações e preconceitos e exige-se dele um comprometimento com a luta para dizimar os mesmos e exige do profissional sempre uma auto crítica de sua pratica.
Já no segundo capitulo de forma ainda contínua, é explicado também que o professor precisa ter consciência do seu inacabamento como ser humano para poder lidar mais consciente com seus alunos e de forma a conscientiza-los sobre isso e de entender também que somos seres condicionados em relação ao que captamos no âmbito social durante a vida e isso também influencia em nossos aprendizados tanto o professor como o aluno, então são temas considerados relevantes para uma boa pratica docente segundo o autor, e no terceiro e último capitulo ele vai prosseguir mostrando quais os caminhos para a educação a qual ele pensa e busca voltando-se principalmente para a ótica do professor e de suas competências e responsabilidades como o mesmo assim como também dos limites de fala e de saber ouvir os alunos de uma forma a construir o conhecimento em conjunto com os mesmos e de reconhecer que existe ideologias sim no ensino e indaga que resta saber se essa é inclusiva ou excludente.
Este livro, talvez um dos mais conhecidos de Paulo Freire, vem trazer de forma bem elaborada e estudada, formas de transformar a maneira de construir conhecimento em sala de aula mudando o agente do ensino que é o professor e fazer dele um anarquista social dentro do sistema de ensino vigente para que se possa existir pessoas mais conscientes do seu meio social e de integrar-se e reconhecer-se como ser social e lucido do ambiente ao qual ele está integrado, porem o livro utiliza de uma linguagem bem erudita e precisasse de conhecimento prévio de alguns termos técnicos utilizados no mesmo, mas é um livro importante para se pensar educação e formas de transforma-la.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 41º reimpressão. São Paulo: Paz e Terra, 2010. [Data da primeira publicação: 1996].
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